são 1:44 da manhã e eu aqui enfileirando miçanga em um fio de nylon infinito e pensando que eu deveria escrever todas essas minhoquinhas passeando na minha cabeça pra ver se elas caçam um rumo e me deixam em paz. tem muitos anos que venho acumulando minhoquinhas. muitos anos que não escrevo nada. queria voltar a fazer isso sem ter que voltar a dizer o quanto fazer isso dói de uma maneira muito particular que me arremessa com força pro passado, meu lugar preferido. agora não sei se continuo enfileirando miçanga ou se falo do passado esse lugar preferido que gosto de visitar e passar hora contando azuleijos no banheiro. aqui em casa são 1988 azuleijos cor de rosa de um lado e mais1988 do outro. faço qualquer coisa pra não estar aqui agora. será porque? ontem nem foi tão legal assim (não mesmo). mas parece que o corpo tá la na frente, em algum lugar no futuro. e aqui, luto pra permanecer no agora. mas dói de forma colossal se eu não estiver enfileirando miçanga. ou correndo meus dedos em texturas na parede. ou fazendo intermináveis arrumações pela casa.


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